21.07.2023
Ben Hicke(ver atualização no final do texto)
Em menos de cinco dias do lançamento oficial em 6 de julho, a rede social Threads, criada pela Meta para rivalizar com o Twitter, superou 100 milhões de usuários. No entanto, a corrida que parecia ganha não está fácil para o Threads: em menos de uma semana, nos dias 11 e 12 de julho, a nova rede social enfrentou uma diminuição de 20% no número de usuários ativos diariamente, segundo dados do Sensor Tower e queda de 25% conforme estudo realizado pela Similarweb. As estatísticas confirmam também uma tendência de perda de engajamento dos usuários na plataforma: o tempo gasto na plataforma reduziu em 50%, de 20 para 10 minutos.
O Google Trends, ferramenta do Google que permite acompanhar a evolução do número de buscas de uma determinada palavra, também demonstra a queda de interesse pela novidade e que pouco afetou as procuras pelo Twitter.

Essa tendência pode ser atribuída à integração com o Instagram que facilitou a inscrição e possibilitou aos usuários levar todos os contatos. Por outro lado, não é possível fazer o mesmo ao deixar o Twitter. Os usuários não tem como levar sua base de contatos. Se o objetivo de Zuckerberg era aproveitar a onda de revolta contra as ações polêmicas de Elon Musk desde a compra do Twitter em 27 de outubro de 2022 por US$ 44 bilhões, faltou trazer ainda sua grande funcionalidade: o Threads não tem Trend Topics e sistema de busca real time que permite saber os assuntos que estão em alta. Hoje, TikTok e o próprio Instagram são buscadores, sistema que estimula a navegação, o engajamento e o tempo de permanência.
No Threads, não é possível a comunicação direta e privada entre os usuários, a famosa DM ou directs, ferramenta muita valorizada por influenciadores, marcas e jovens usuários. Outro ponto que pode estar contribuindo para o pouco engajamento é a programação do algoritmo para não dar visibilidade a notícias e política, um dos estimuladores das conversas no Twitter.
O Threads ainda não foi lançado na Europa por não estar em conformidade com a lei de proteção de dados do bloco econômico. Zuckeberg parece não querer arriscar depois de receber uma multa recorde de US$ 1,3 bilhão aplicada pela Comissão de Proteção de Dados da Irlanda (DPC) por quebrar suas regras de privacidade. Por enquanto, a Índia lidera o maior número de downloads (33%), seguido pelo Brasil (22%), Estados Unidos (16%), México e Japão, 8% e 5% respectivamente.
Ainda que Mark Zuckerberg tenha ficado US$ 61 bilhões (aproximadamente R$ 300 bi) mais rico com o lançamento do Threads fica difícil entender a estratégia de lançamento de um microblog com tantas faltas de recursos essenciais de conversa e já em desacordo com as leis de proteção de dados que estão na ordem do dia mundial. Será apenas um golpe de Zuckerberg antes do embate físico nos ringues propagado pelos megaempresários?
Enquanto a data não é marcada, Musk atacou de volta ameaçando a Meta com uma ação e acusando a empresa de fazer uso indevido de “segredos comerciais e outras propriedades intelectuais” do Twitter. No placar da Forbes, Musk, na semana de lançamento do Threads, recuperou seu lugar como a pessoa mais rica do mundo com uma fortuna de US$ 246 bilhões, enquanto Zuckerberg, com US$ 103 bilhões está no sétimo lugar no ranking.

Atualização em 31/7:
Nova pesquisa da Sensor Tower constatou uma queda de 70% em relação ao pico de 44 milhões de usuários ativos, atingido em 7 de julho, dois dias após o lançamento. O número diário de usuários ativos é 13 milhões. O tempo gasto no Threads também despencou. O tempo que os usuários passam no aplicativo caiu 19 minutos por dia para 4 minutos.
Tags: Elon Musk, redes sociais, Threads, Twitter, Zuckerberg

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